Como o próprio nome indica, trata-se do que acomete a maioria dos homens no processo natural de envelhecimento. A HPB é uma condição histológica que acomete mais de 50% dos homens acima de 60 anos e que frequentemente resulta em obstrução do esvaziamento da bexiga e no surgimento de alguns sintomas urinários, que são genericamente conhecidos como LUTS (lower urinary tract symptoms) e que costumam ter impacto sobre a qualidade de vida dos homens.

A prevalência da HPB clínica é difícil de ser determinada. Do ponto de vista histológico a HPB não foi encontrada em pacientes abaixo de 30 anos de idade, mas aumenta com a idade, atingindo 88% na nona década. Um aumento palpável da próstata é observado em até 20% dos homens com 60 a 69 anos e em 43% daqueles com 80 a 89 anos, entretanto o aumento da próstata nem sempre se relaciona com a presença de sintomas e alteração do fluxo urinário, sendo esta correlação relativamente baixa.

Hiperplasia-prostática-benigna-(HPB)

Diagnóstico

A história clínica deve ser detalhada para confirmar e quantificar os sintomas urinários assim como para determinar o grau de incômodo social relacionado à patologia. Além disso, deve auxiliar no diagnóstico diferencial e afastar outras condições que podem cursar com sintomatologia urinária semelhante à HPB, como as estenoses de uretra, prostatites, infecção urinária, etc. Os sintomas miccionais relacionados à HPB podem ser divididos em três grandes grupos: de armazenamento, de esvaziamento e os pós-miccionais, sendo que a sua intensidade pode variar bastante entre pacientes.

Para uma avaliação objetiva dos sintomas do trato urinário inferior (LUTS) causados pela hiperplasia prostática benigna (HPB) foram desenvolvidos questionários para tentar quantificar a sintomatologia apresentada bem como seu impacto na qualidade de vida. Eles permitem uma avaliação de forma objetiva e auxiliam a uniformizar e comparar a casuística em estudos científicos que avaliam tratamentos para HPB.

A Associação Americana de Urologia (AUA) criou um sistema de avaliação que utiliza sete perguntas com notas variando de zero a cinco e uma pergunta que avalia o impacto dos sintomas sobre a qualidade de vida do paciente, passando a denominá-lo Escore Internacional de Sintomas Prostáticos (IPSS). Este instrumento deve ser preenchido pelo próprio paciente, sem auxílio do médico e o seu escore final pode variar de zero a 35 pontos. Na questão sobre qualidade de vida a resposta é qualitativa e não quantitativa. O resultado do questionário pode classificar os sintomas em três grupos: sintomas leves (escores até 7), moderados (entre 8 e 19) e severos (de 20 a 35).

O exame físico é de fundamental importância para o diagnóstico da HPB, devendo ser realizado com atenção especial para a genitália externa, abdome inferior e o toque retal. Motivo de grande preconceito, o toque retal é um exame fundamental e ainda recomendado como forma de avaliação da próstata, sendo de 26 a 34% o valor preditivo positivo de um toque retal suspeito para neoplasia. Ao exame, o médico percebe aproximadamente 60% da superfície da próstata, principalmente a sua parte posterior, onde cerca de 70% dos tumores prostáticos se localizam, podendo ser perceptíveis ao toque.

O toque retal é um exame rápido com duração média de 10 a 15 segundos. Existem diferentes posições para se realizar o exame: paciente em decúbito dorsal (barriga para cima) com os membros inferiores flexionados (joelhos dobrados); em decúbito lateral; na posição genupeitoral (tórax e joelhos apoiados sobre a cama ou maca de exame) ou ainda em pé, inclinado e apoiando os cotovelos sobre a mesa de exame. A escolha da posição depende da preferência do médico examinador e de eventuais limitações físicas do paciente. É indolor e causa um discreto desconforto pélvico. Ao realizar o exame o médico avalia o tamanho da próstata, assimetrias suspeitas, alterações na consistência ou a presença de nódulos. Com a experiência acumulada, o urologista pode calcular com razoável precisão o volume prostático.  Ele deve ser feito anualmente a partir dos 45 anos. Se houver histórico familiar de câncer na próstata, o primeiro toque deve acontecer aos 40 anos.

Alguns exames auxiliam o urologista na definição do diagnóstico e na conduta a ser adotada no paciente com HPB, sendo alguns recomendados e outros apenas opcionais: urina tipo I ou EAS; dosagem do PSA; avaliação da função renal; avaliação do resíduo pós-miccional; urofluxometria; exames de imagem (ultrassonografia da próstata); urodinâmica; uretrocistoscopia, entre outros.

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