A bexiga hiperativa é um problema do funcionamento normal da bexiga, resultando em alguns sintomas clínicos, sendo o principal uma necessidade súbita e incontrolável de urinar, difícil de ser inibida ou adiada pelo paciente.

Esta urgência para urinar pode ou não estar associada à perda de urina (incontinência por urgência) e frequentemente acompanha-se de um aumento da freqüência urinária (ir muito ao banheiro). 
Trata-se de uma síndrome muito freqüente, com prevalência estimada em 3 a 43% da população européia e americana. Estima-se que na América do Norte existam cerca de 33 milhões de pacientes com bexiga hiperativa (um em cada 6 americanos), sendo que 12 milhões têm incontinência urinária associada.

Estudo europeu demonstrou uma prevalência em pacientes acima dos 40 anos de idade de 16%, estando o sintoma de urgência miccional presente em 85% dos pacientes. Estes dados de prevalência tendem a aumentar com a idade, sendo a população idosa a mais suscetível ao problema.
 Os homens tendem a ser acometidos após os 65 anos, mas as mulheres podem iniciar os sintomas mais cedo, em tornos dos 40 anos de idade. Este problema afeta muito a qualidade de vida das pessoas, trazendo problemas de ordem social, psicológica, física, ocupacional e sexual.

As repercussões emocionais podem levar ao isolamento social e afetivo dos pacientes, sendo que um número significativo dos pacientes não se sente confortável de discutir o seu problema com familiares e até com os médicos.

Sinais e Sintomas

  • Desejo súbito de urinar (urgência miccional);
  • Incontinência urinária associada à urgência miccional;
  • Urinar em intervalos muito curtos (mais de 8 vezes em 24h)
;
  • Acordar duas ou mais vezes à noite para urinar.

Causas

Por definição a causa da bexiga hiperativa é desconhecida. Alguns autores acreditam que alguns indivíduos são mais predispostos para o problema, como os pacientes com depressão, ansiedade e distúrbio de atenção. Os pacientes com bexiga hiperativa apresentam um descontrole no funcionamento normal quando a bexiga está se enchendo, e acredita-se que diferentes alterações neurológicas, musculares e de neurotransmissores na bexiga estejam envolvidos.

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Um achado muito comum é a presença de contrações involuntárias do músculo da bexiga, levando à urgência para urinar e a todos os sintomas deste problema. Estas contrações justificam também as perdas de urina que alguns pacientes apresentam.

Diagnóstico Diferencial

Vários diagnósticos diferenciais necessitam ser lembrados quando da suspeita de bexiga hiperativa: infecção urinária, tumor de bexiga, fatores obstrutivos da uretra (aumento da próstata, cálculo de bexiga), cirurgias prévias uretrais, etc.), diabetes, excesso de consumo de cafeína, medicações que causam aumento de produção de urina, patologias neurológicas (Doença de Parkinson, Alzheimer, AVC, esclerose múltipla, etc), entre outros.

Diagnóstico

A história clínica e o exame físico geral e neurológico são fundamentais. O paciente é solicitado a preencher um diário onde anotará todos os eventos relacionados à sua micção, incluindo volume urinado em cada micção, volume de líquido ingerido em 24 h e presença de urgência urinária e perda de urina (diário miccional).

Alguns exames subsidiários são solicitados e auxiliarão o médico no diagnóstico diferencial. Um exame importante é a URODINÂMICA, que é uma avaliação do funcionamento do trato urinário inferior (bexiga e uretra) nas suas duas fases de funcionamento: enchimento e esvaziamento. Este exame permite medir a capacidade, pressão de enchimento e a presença ou não de contrações involuntárias do músculo da bexiga. Apesar de não ser necessária para o diagnóstico clínico em todos os casos, a sua realização contribui bastante para o entendimento desta síndrome.

Tratamento

Alguns tratamentos são recomendados para pacientes com este problema. É importante salientar que cada paciente necessita ter o seu tratamento individualizado, pois cada paciente tem suas particularidades. Algumas condutas são preconizadas para a maioria dos pacientes, como a restrição de bebidas com cafeína, chá, bebida alcoólica, bebida a base de cola, pimenta e outros condimentos, pois são todos irritantes da bexiga.

Caso o paciente identifique alimentos que estimulem a bexiga, estes devem ser abandonados. Deve-se estimular o uso de fibras como forma de regularizar o intestino. 
Outra forma não invasiva de tratamento é o treinamento vesical, onde o paciente é estimulado a adiar a micção por curtos intervalos de tempo e realizar micções em intervalos pré-determinados, sendo que progressivamente estes intervalos são aumentados, até se conseguir micções a cada 3 horas.
Em pacientes selecionados pode-se associar a fisioterapia de reabilitação pélvica, com exercícios pélvicos orientados por fisioterapeuta especializada, além de eletroestimulação vaginal e de nervo tibial posterior, com resultados muito bons.

De uma forma geral são prescritas medicações chamadas anticolinérgicas, que tem efeito relaxante vesical, diminuindo a urgência para urinar e as perdas urinárias. Existem vários medicamentos disponíveis no mercado, mas somente o médico poderá escolher a melhor droga e a dose a ser utilizada para cada paciente.

Para casos mais severos, que não respondem a medicações, pode-se associar o uso de medicação injetável na bexiga, sendo a toxina botulínica (BOTOX®) uma nova alternativa nos dias atuais. Nos casos extremos e selecionados, os tratamentos invasivos como a neuromodulação vesical e a cirurgia (ampliação da bexiga) podem ser indicados.

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